Com a morte de Isabel Veloso, aos 19 anos, vítima de câncer, as atenções se voltam agora para seu filho, que tem apenas 1 ano, e será criado exclusivamente pelo pai. Neste momento de grande comoção, também emerge uma preocupação com o futuro emocional dessa criança, especialmente nos primeiros anos de vida, uma fase considerada crucial pela neurociência do desenvolvimento.
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De acordo com a neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil, Telma Abrahão, o cérebro passa por uma intensa organização nos primeiros anos, sendo fortemente influenciado pela qualidade dos vínculos, experiências emocionais e pelo ambiente em que a criança está inserida.
“Do ponto de vista da neurociência, o cérebro do bebê não precisa, obrigatoriamente, da figura materna para se desenvolver de forma saudável. O que ele realmente necessita é de um cuidador principal que seja presente, previsível, afetuoso e sensível às suas necessidades. Esse papel pode ser exercido plenamente pelo pai”, explica Telma.
“Um pai emocionalmente disponível, que acolhe, cuida, brinca, conversa e responde aos sinais do bebê, contribui para a formação de circuitos neurais relacionados à segurança e regulação emocional, fundamentais para relações saudáveis no futuro”, destaca a especialista.
“A neurociência demonstra que não é a configuração familiar que define um desenvolvimento saudável, mas sim a qualidade do vínculo, da presença e do cuidado. Em um momento de tamanha dor, o amor, a constância e a sensibilidade do pai serão essenciais para transformar essa perda em uma história de proteção, vínculo e resiliência”, conclui.