A morte de Mãe Carmen do Gantois, ocorrida na madrugada de sexta-feira, 26 de Dezembro, causou intensa comoção na Bahia e em diversas partes do Brasil. Mãe Carmen, uma das maiores figuras do candomblé brasileiro, deixou um legado espiritual, cultural e social que transcendeu gerações. Desde então, muitas homenagens foram prestadas, incluindo a de Ivete Sangalo, que utilizou suas redes sociais para celebrar a vida da líder religiosa.
O que aconteceu com Mãe Carmen do Gantois?
Ivete compartilhou uma imagem de Mãe Carmen e expressou em poucas palavras a profundidade da perda: “Mãe Carmen. Uma mulher admirável, do amor, da força, de uma energia extraordinária de paz. Sua luz permanecerá viva. Siga em paz”, reforçando o respeito que sempre teve por ela ao longo dos anos.
Ligação entre fé, arte e ancestralidade
A conexão entre Ivete Sangalo e Mãe Carmen também se manifestou artisticamente. Em 2019, a cantora participou do álbum “Obatalá – Uma Homenagem a Mãe Carmen”, um projeto que se tornou um importante registro da tradição e ancestralidade do Terreiro do Gantois. Ivete aceitou o desafio de cantar em iorubá, um gesto que foi amplamente reconhecido pela sua reverência à cultura africana.
A artista interpretou um louvor a Oxaguian, e essa performance não apenas destacou sua habilidade vocal, mas também simbolizou a união entre a música popular brasileira e os rituais de candomblé, ampliando o reconhecimento da mensagem espiritual defendida por Mãe Carmen ao longo de sua vida.
Rituais de despedida e cortejo histórico
O corpo de Mãe Carmen chegou à sede do Terreiro do Gantois, no bairro da Federação, antes das 11h na sexta-feira. A comunidade iniciou os rituais tradicionais de despedida, que foram exclusivos para os filhos da casa, como determina a tradição religiosa. Durante esse período, o acesso ao local foi controlado para resguardar o caráter sagrado do momento.
Na manhã de sábado, 27 de Dezembro, Salvador se despediu de Mãe Carmen em um cortejo emocional e repleto de ancestralidade. Vestidos de branco e cantando cânticos sagrados, filhos de santo e admiradores seguiram o caminhão do Corpo de Bombeiros rumo ao Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas. O sepultamento ocorreu às 11h30, encerrando um ciclo histórico de liderança espiritual que durou mais de duas décadas em um dos terreiros mais significativos do país.