Tijuca Celebra a Vida de Carolina Maria de Jesus com Mileide como Rainha

Mileide Mihaile samba na Unidos da Tijuca
Mileide Mihaile samba na Unidos da TijucaMileide Mihaile esbanjou carisma na Unidos da Tijuca – Foto: Webert Belício/ AgNews

A Unidos da Tijuca está preparando uma abertura repleta de simbolismo para o desfile que ocorrerá nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026. A primeira imagem a surgir na Sapucaí será a menina Bitita, que conduzirá o público pelo início da jornada de Carolina Maria de Jesus, uma das figuras mais marcantes da literatura brasileira.

Mileide participará ativamente dos ensaios

Na língua changana, que é falada em Moçambique, Bitita significa panela de barro, um símbolo de resistência e ancestralidade. Essa designação foi dada pelo avô Benedito, no início do século XX, e agora se transforma no ponto de partida do enredo.

As muitas Carolinas que atravessam a Avenida

A Tijuca, com Mileide Mihaile como rainha da bateria, promete apresentar diversas facetas da autora ao longo do desfile. Assim, várias “Carolinas” aparecerão na narrativa: “a doméstica”, “a grávida”, “a louca do Canindé”, “a catadora”, “a escritora”, “a marionete” e “a do carnaval”.

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Segundo o carnavalesco, apesar de toda a grandiosidade de Carolina, sua história ainda é pouco reconhecida no imaginário popular. Portanto, a escola transformará a Avenida em um palco para resgatar essa trajetória de luta e afirmação.

“Ela aprendeu os segredos que apenas o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas…”, é o que diz a sinopse oficial da escola.

Da favela do Canindé ao sucesso mundial

Carolina nasceu em 14 de março de 1914, em Sacramento, Minas Gerais. Posteriormente, mudou-se para São Paulo, em busca dos seus sonhos, que, no entanto, foram confrontados por preconceitos e adversidades. Na capital, viveu na favela do Canindé, onde passou a documentar as dificuldades da desigualdade e da exclusão social.

“A história de Carolina, a escritora que foi invisibilizada, é algo que nos fascina… Carolina, enquanto mulher, enquanto negra, enquanto resistência”, declarou o carnavalesco, evidenciando a relevância atual do tema.

Alegoria de papelão

Um dos destaques do desfile será a terceira alegoria, dedicada ao livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada. Publicada em 1960, a obra vendeu 10 mil cópias na primeira semana e chegou a mais de quarenta países, sendo traduzida para pelo menos 14 idiomas.

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“A alegoria é toda feita de papelão, de materiais alternativos”, explicou o carnavalesco, referindo-se ao período em que Carolina trabalhou como catadora e construiu sua vida com o que conseguia recolher.